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domingo, 28 de agosto de 2011

The Tree. - chapter 12 -


                             ~ 10 anos depois ~

      O vento não estava muito forte, mas mesmo assim as pétalas voavam livremente com ele, tal como da primeira vez que ali tinha estado. Havia mais flores e podia jurar que eram ainda mais bonitas que no passado.  Eram tantas que faziam um manto colorido digno de uma princesa. E foi então que virou a sua atenção para a árvore que continuava igual ao longo de todos aqueles anos. Emanava a mesma magia e a mesma atmosfera relaxante de sempre tornando-a mestre de todo o bosque e venerada pelas flores que a cercavam.
     - Mamã, olha tantas flores! – Annie corria por todos os lados cheirando todas as flores por que passava e tentando ver todas as coisas que poderiam estar escondidas.
     Emily divertida com a felicidade da filha sentou-se na sombra da árvore com um sorriso nos lábios.
     - Annie tem cuidado, a correr dessa maneira ainda vais assustar as fadas. Sabes que elas são tímidas.
     Ao ouvir tal coisa Annie parou automaticamente e foi a correr ter com a mãe ajoelhando-se junto a ela. –  Fadas!? Mamã, eu não queria assustá-las… Mas viste-as? Elas disseram que eu as tinha assustado?
     - Não querida, a mãe nunca as viu. Mas o teu pai sempre me jurou que existiam e que aqui neste sítio haviam muitas e todas do tamanho de uma pétala. Ele tentou mostrar-mas, mas não deviam gostar muito de mim, porque nunca as pude ver.
     - Eu gosto de ti mamã! – disse Annie abraçando a mãe. – Hum… Mamã, podias contar-me histórias do papá?! – murmurou ela curiosa e com medo de magoar a mãe.
     Emily simplesmente sorriu e chegou a filha mais para ela e começando a acariciar-lhe o cabelo disse-lhe. –  Claro que sim, minha pequenina. Eu conto-te tudo o que quiseres saber.
     - Mãe, então será que podias contar-me como é que tu e o papá se conheceram?
     - Mas é claro que sim, minha pequenina. – respondeu-lhe Emily num tom carinhoso e com um sorriso repleto de memórias. – Sabes querida, quando eu tinha mais ou menos a tua idade eu era uma completa chorona e fugia de casa sempre que via os meus pais a discutir, para puder chorar sozinha num canto sossegado. Nunca ia para muito longe pois eles nunca tiveram muitas discussões e nunca foram muito grandes, mas houve um dia que eles tiveram uma enorme discussão, muito maior do que qualquer outra. Eu fiquei assustada e a única coisa que fiz foi fugir novamente. Tinha os olhos cobertos de lágrimas e nem conseguia ver o caminho que estava a fazer, mas simplesmente continuei a correr sem nunca olhar para trás. – contou-lhe Emily mostrando-se divertida com a memória.
     - Mamã eras uma chorona! – gozou Annie com a mãe.
     - Acho melhor teres cuidado porque tens os meus genes chorões, minha menina.
     - Não sejas má mãe. Vá, mas continua.
     - Hum, deixa-me pensar… Ah, sim ia na parte em que estava a correr. – lembrou-se Emily. – Eu continuei a correr e a correr até que cheguei a este sítio – disse ela olhando à sua volta, enquanto Annie seguia também o olhar da mãe. – onde vi pela primeira vez o teu pai sentado aqui junto a esta árvore a olhar para mim com um olhar desafiador, que me fez automaticamente perceber que ele não me queria ali, mas eu estava tão triste que nem sequer movi um simples músculo. Simplesmente fiquei a observá-lo enquanto ele já se levantava e começava a correr na minha direcção. Sempre com aquele olhar. Pequenina, essa foi a primeira vez que vi o teu pai.
~ 22 anos antes ~
      - O que é que estás aqui a … - Trevor ainda nem tinha acabado de falar quando viu as lágrimas que enfeitavam o rosto daquela rapariga desconhecida. – Hum..   Estás a chorar?! Porque raio estás a chorar?! Eu nem te toquei! – perguntou-lhe ele surpreendido e em simultâneo preocupado.
     A rapariga não respondeu, simplesmente deixou-se cair no chão escondendo a cara junto dos joelhos e tentando abafar os soluços do choro.
     Trevor ao vê-la daquela maneira soltou um suspiro e baixou-se também, na tentativa de ficar ao mesmo nível a que o rosto dela se encontrava.
     - Hum, pequenina, como é que te chamas?
     - Emily. – balbuciou ela entre soluços e ainda escondendo a cara.
     - Ah, mas que bonito nome. – disse-lhe ele cheio de energia e com um sorriso na cara na tentativa de animá-la, acabando por perceber que ela não lhe estava a ligar nenhuma, o que fez com que Trevor solta-se um suspiro de frustração, tentando novamente. – Sabes Emily, se continuares a chorar de maneira vais acabar por assustar as fadas. Elas só gostam de pessoas que se apresentam pela primeira vez com um sorriso.
     Subitamente aquela menina parou de chorar por um momento ficando a olhar para ele com um ar muito sério.
     - Tu estás a enganar-me! As fadas não existem! – disse ela irritada, por aquele estranho lhe estar a mentir.
     - Oh, só dizes isso porque nunca as vistes. Não sabias que elas são tímidas. Elas não aparecem à frente de qualquer pessoa.
     - Então e tu já as vistes?! – perguntou Emily cheia de desconfiança, mas também com um pouco de esperança.
     - Sim. Vi-as da primeira vez que vim parar a este lugar. Elas andavam a voar à volta daquela árvore ali. – respondeu Trevor apontando para a árvore.
     - Eu também as quero ver…
     - Mas olha que não lhes deves ter causado uma muito boa impressão. O melhor é limpares essas lágrimas e começares a sorrir, caso contrário elas nunca te vão querer conhecer.
     - Como é que posso sorrir? A mamã e o papá estão a discutir, como poderia eu sorrir…
     Trevor agora já compreendendo a situação, fez uma nova tentativa de reconfortar aquela menina assustada.
     - Diz-me uma coisa. Os teus pais sorriem muito um para o outro? Achas que eles se amam?
     - Hum, acho que sim. O papá está sempre a olhar para a mamã com o olhar… Especial.
     - Então não tens que te preocupar com nada, pequenina. Se os teus pais se amam eles vão resolver os seus problemas. Por isso agora já não precisas de estar assustada, podes simplesmente sorrir.
     - Achas mesmo isso? Vai ficar tudo bem?
     - Claro que acho. – respondeu-lhe ele com um sorriso na cara e seguro de todas as palavras que dizia.
     Nesse momento Emily mostrou-lhe um sorriso que ele nunca mais iria esquecer.  Um sorriso que ele iria desejar para sempre.
     - Podes mostrar-me as fadas?! Eu quero conhecê-las! – disse Emily cada vez mais alto à medida que se ia afastando correndo em direcção ao manto de flores. Mas parou de repente voltando-se novamente para Trevor, que ainda se encontrava no mesmo sítio, pensando naquele sorriso. – Como é que te chamas?
     - Trevor. – gritou ele.
     Emily nesse momento começou a correr em direcção a Trevor e ao chegar junto a ele estendeu-lhe a mão.
     - Hum, Trevor, queres ser meu amigo?
     Divertido com a inocência da pergunta Trevor suspirou e com um sorriso agarrou a mão que lhe tinha sido estendida.
     - Bem, acho que não tenho escolha. 
     - Agora que penso nisso foi graças ao teu pai que eu deixei de ser uma chorona. – disse Emily pensativa enquanto dava um toque ao de leve no nariz da filha. – Depois disso encontrava-me sempre com ele aqui.
     - Então quer dizer que se encontravam sempre aqui às escondidas!? Ah, mamã, é como naquelas histórias que tu me costumas contar antes de dormir. O papá era o teu príncipe encantado!
     - Acho que se pode dizer que sim. – disse Emily rindo-se.
     - Ah… Que bonito… Conta-me mais histórias!
     - Annie já está a ficar tarde. Não te esqueças que vamos jantar à casa do avô e que lhe prometes-te que ias fazer as vossas famosas tartes. A mãe amanhã volta a trazer-te aqui e conta-te mais histórias, mas por hoje chega. – advertia-lhe Emily à medida que se ia tentando levantar. Mas Annie agarrou-a fazendo com que ela se senta-se de novo.
     - Vá lá mamã… Só mais uma… - Ia pedindo ela fazendo o seu beicinho.
     - Ah, sinceramente, eu tenho mesmo de parar de te dar tantos mimos. Mas olha que é mesmo só mais uma e pequenina.
     - Yay! Eu adoro-te mãe. – Gritou Annie mais do que feliz enquanto beijava e abraçava a mãe.
     - Bem, então deixa-me pensar. Hum… Ah, já sei. E se eu te contasse sobre o primeiro dia em que estivemos todos juntos em casa?
     - Sim, conta, conta.
     - Sabes uma coisa querida. À pouco estavas a rir de eu ter chorado, mas olha que o teu pai também chorou, e como um bebé!
     - Somos uma família de chorões. Que engraçado. Vá, mas continua mãe.
     - Então como eu já tinha dito era a primeira noite em que estávamos todos juntos em casa. Tu eras tão pequenina. – disse Emily com um olhar ternurento enquanto afagava o cabelo da sua já tão crescida filha. – O teu pai não te consegui largar nem por cinco segundos.
~ 7 Anos antes ~

      Estava escuro e silencioso. Emily já se sentia farta de descansar e esquecendo tudo o que os médicos tinham dito sobre descanso absoluto foi começando a levantar-se, tentando não fazer barulho. O seu destino era o quarto da sua bebé e ao chegar lá ficou surpreendida com a imagem que tinha presenciado.
     Trevor estava sentado num banco debruçado sobre o berço e sem nunca desviar a sua atenção da sua pequena filha. Estava tão absorvido em descobrir todas as expressões que aquela cara pudesse fazer que nem se apercebeu da presença de   Emily. Aquele era um cenário que lhe aquecia o coração e colocava um sorriso nos lábios.
     Foi então que começou a andar silenciosamente em direcção a Trevor e lhe acabou por colocar a mão nas costas debruçando-se também um pouco sobre o berço.
     – És mesmo um pai babado. – sussurrou-lhe ela.
     - Mas tenho razões para isso. – murmurou ele tocando no rosto de Annie, desviando em seguida a sua atenção da filha, pela primeira vez, e olhando agora para Emily. – Devias estar a descansar. Volta para a cama que ainda é tarde.
     - Já estou farta de descansar e também não te vou deixar ser o único a desfrutar dela. – disse Emily sentando-se e encostando a cabeça ao ombro de Trevor.
     - Ela é tão bonita.
     - Quer dizer que quando ela crescer vais andar atrás dela com uma caçadeira? – perguntou Emily divertida com a imagem.
     - Mas é claro que vou. Ninguém vai tocar na minha menina.
     O quarto ficou nesse momento num silêncio total e Emily fechou um punho na camisola de Trevor e chegou-se mais a ele à medida que algumas lágrimas lhe começavam a cobrir os olhos.
     - Trevor, somos uma família. Uma verdadeira família.
     - Eu sei meu amor. Também nem consigo acreditar. Era tudo o que eu mais queria. Uma família com a pessoa que eu mais amo. – disse Trevor com toda a ternura na sua voz para em seguida a beijar tentando transmitir toda a paixão e amor que sentia por ela naquele momento.
     - Querida, eu apaixonava-me de novo pelo teu pai vezes e vezes sem conta. Sempre que o via sentado junto ao teu berço, quando te contava histórias ou te embalava pela noite dentro, quando brincava contigo e especialmente nos momentos em que te pegava ao colo e logo a seguir olhava para mim para que eu me juntasse a vocês.
     - Mamã, eu tenho saudades do papá. – balbuciou Annie enquanto esfregava o rosto no peito da mãe na tentativa de fazer desaparecer as lágrimas que já lhe escorriam pelo rosto.
     - Eu também meu amor. Mais do que tudo no mundo.
 ~ 3 Anos antes ~
     Conseguia ouvir a Annie a brincar no seu quarto já que ela não se continha no barulho que fazia, mas mesmo com tanto barulho ela continuava a ouvir os sons do relógio. Ela não conseguia deixar de pensar nas horas, e no facto de ser já tão tarde e de Trevor ainda não ter chegado. Sabia perfeitamente que era um medo irracional e sem cabimento algum, por isso mesmo tentava ignorar esses pensamentos, mas a verdade é que continuavam lá e o ‘tique-taque’ do relógio também.     - Annie prepara-te para vir jantar. – gritou Emily.
     - Mas mãe o papá ainda não chegou… - disse-lhe Annie ao chegar à cozinha.
     - Não faz mal querida. Assim quando ele chegar fazemos-lhe inveja. Vai lá lavar as mãos.
     - Okay. – concordou ela saindo da cozinha aos saltitos no preciso momento em que o telefone começou a tocar.
     - Ah, meu menino vais mesmo ouvir-me… - disse Emily preparando-se para ralhar com Trevor, mas quando colocou o auscultador percebeu que era uma voz desconhecida.     - Desculpe incomodá-la a estas horas da noite, mas poderia dizer-me se estou a falar com a senhora Emily?
     - Hum, sim é a própria. E quem é o senhor?
     - O meu nome é Peter e sou agente. Eu estou a ligar a esta hora para lhe informar que o seu marido, o senhor Trevor, teve um acidente de automóvel. Lamento muito dizer-lhe, mas o seu marido não conseguiu sobreviver ao impacto. Lamen…     Emily deixou de ouvir por completo e não conseguiu pronunciar nem uma só palavra, deixando cair o auscultador e caindo no chão junto a ele.      Ficou assim durante algum tempo, totalmente atónita, até que lhe escorreu uma pequena lágrima, que abriu o caminho para todas as outras e também para o pânico que já se formava dentro dela. Foi então que Emily desatou num pranto, chorando como nunca tinha chorado antes e gritando por ele, ainda não conseguindo acreditar no que tinha ouvido.
     - Mamã!? Mãe! Mãe! – Gritou Annie entrando na cozinha e correndo para junto da mãe ao vê-la naquele estado.     Mas Emily nada disse continuando simplesmente a chorar e a gritar, mas Annie gritou ainda mais alto por ela e abanou o seu corpo trémulo, para em seguida a abraçar com toda a força que o seu pequeno corpo continha.
     - Mamã, não chores. Por favor, não chores. – murmurou Annie já sem fôlego e também já a chorar.
     As lágrimas continuavam a cair do rosto de Emily, mas agora já não gritava, pelo menos o seu exterior, pois o seu interior continuava em pânico sem saber com reagir, mas juntou todas as forças para se puder acalmar.
    - Desculpa minha querida, a mãe descontrolou-se um bocadinho. Mas tudo vai ficar bem. – dizia Emily a ambas enquanto abraçava fortemente a sua filha. – Nós vamos ficar bem!
     - Mas nós vamos ficar bem, não vamos Annie?
     - Claro que vamos mamã, nós somos mais fortes que a pessoa mais forte do mundo. – respondeu-lhe Annie ainda com algumas lágrimas no rosto, mas com uma expressão decidida.
     - Querida, sempre que sentires saudades do pai podes vir aqui. Ele vai sempre estar aqui neste sítio. Aqui nunca te sentirás sozinha.
     - Digo-te o mesmo mamã.
     E uma pequena lágrima percorreu o rosto de Emily, que já formava um sorriso.  
Fim!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

The Tree. - chapter 11 -


Podia ser comparado com um animal indefeso, ali ofegante e olhar para ela com uns olhos tristes. Rapidamente e mesmo sem pensar abraçou-o, sentia que infelizmente seria a única coisa que podia fazer por ele naquele momento. Por isso abraçou-o e deitou-lhe novamente o cabeça na almofada, mesmo junto a ela. E simplesmente lhe acariciou o cabelo na tentativa de fazer desaparecer a ansiedade que ele sentia.

O silêncio tinha voltado a instalar-se ao seu redor, mas não podiam dizer que fosse desconfortável, pois para ambos aquele silêncio era confortável e acolhedor, mas Trevor agora já mais calmo sabia que não podiam ficar em silêncio para sempre.

- Podes perguntar-me o que quiseres.

- Mas... Eu não quero… - murmurou ela ao mesmo tempo que o apertava um pouco mais dentro dos seus braços.

Ambos se manterão calados por mais uns breves momentos até Trevor voltar a falar.

- O meu pai era um homem… Triste. Era um homem que gostava de brincar com o cinto nas noites que bebia vodka a mais. E a verdade é que ele adorava a sua vodka. – disse ele calmamente e com um pouco de sarcasmo. – Quer dizer, mas a verdade é que se encontrei aquele lugar foi tudo graças a ele, precisava de um sítio para onde fugir de vez em quando… E se pensarmos dessa maneira até foi graças a ele que te conheci. Uau, afinal aquele idiota sempre teve alguma utilidade… Bem, mas um dia ele simplesmente desapareceu sem dizer nada e a minha mãe aproveitou a oportunidade e levou-me daqui.

De repente ouve-se um soluço.

- Ah, porque estás a chorar pequenina? – perguntou ele preocupado e procurando ver o seu rosto.

- Desculpa… - balbuciou ela por entre os soluços. Estava tão envergonhada por se ter ido abaixo que se enrolou numa bola e escondeu o rosto junto ao peito de Trevor.

- Desculpar-te?! Mas porquê?! Vá, não sejas parvinha. – ralhou ele com carinho enquanto lhe afagava o cabelo. – Emily não é preciso ficares assim… A verdade é que eu estou bem. Sabes, eu enterrei os meus fantasmas juntamente com aquele homem, eles já não me perseguem. Por isso não chores meu amor. – E beijou-a no cimo da sua cabeça. – Emily, acho que devias fazer o mesmo com os teus.

- Trevor podes vir comigo amanhã falar com o meu tio?

- Claro que posso. – disse ele com um sorriso e começou a puxar os lençóis mais para cima tentando tapá-la melhor. – Vá, mas agora dorme. Deves estar cansada.

- Porque é que acabaste por ser tu a confortar-me!?

- Obviamente, porque sou o teu cavaleiro andante. Um cavaleiro tem de tomar conta da sua princesa, senão que raio de cavaleiro é que seria!?

- Uhh… Nunca pensei que teria um cavaleiro só para mim. – disse ela ao mesmo tempo que se ria da imagem de Trevor numa armadura a cair do seu cavalo branco. – É como um sonho tornado realidade.

- Então e estás satisfeita com os serviços prestados até agora? – perguntou Trevor também agora divertido.

- Hum… Nem por isso… Acho que infelizmente vou ter de pedir o livro de reclamações.

- Pois, pois. És é demasiado exigente. Olha que aquele dragão não se matou sozinho.

- E daí não sei, eu continuo a achar que esse dragão tinha tendências suicidas… Sabes que os dragões nunca estão muito bem psicologicamente.

- Então para a próxima arranjamos um psicólogo para o pobre animal, mas agora dorme que eu também estou cansado. Sabes que até mesmo os cavaleiros precisam do seu sono de beleza.

- Boa noite cavaleiro defeituoso.

- Boa noite princesa rabugenta.

- Ah, eu não sou rabugenta, seu aldrabão. – ralhou ela.

- Mas é claro que não, és só chorona.

- Idiota. – E timidamente tocou os lábios de Trevor com os seus. – Dorme bem.

- Tu também pequenina.

E ambos acabaram por adormecer nos braços um do outro. 


-continua- 

  

sábado, 28 de maio de 2011

The Tree. - chapter 10 -


Conseguia ver a lua cheia através da pequena janela do outro lado da cama. Era ela que iluminava aquele quarto, a roupa espalhada pelo chão misturada com as montanhas de livros tratados com carinho e ao mesmo tempo desmazelo de um rapaz normal. 
Era essa mesma lua que agora iluminava Trevor e ao ver aquela luz insidir nele, ela não conseguiu impedir o embaraçoso pensamento de que ele, para ela, era como a lua. Era ele que lhe iluminava a vida quando ela estava mais escura, tanto no passado como no presente.
Sentia algo aconchegante no seu peito, talvez se possa dizer que era felicidade, uma felicidade que não sentia à muito tempo. E estando embriagada com tal felicidade e fascinada com o rosto sereno de Trevor foi aproximando-se dos lábios dele, não conseguindo resistir.
Mas de repente Trevor grita do nada dizendo palavras incompreensiveis à lingua humana e ainda em sonhos vira-se bruscamente para o lado oposto, murmurando depois, ainda de forma confusa:


- Irei sempre proteger-te pequenina.


O sangue já seguia o seu caminho até ao rosto e orelhas.


Sentia-se cheia de alegria, mas também de embaraço por isso decidiu acordá-lo, para poder vingar-se de alguma forma. Mas quando estava prestes a dar-lhe um murro certeiro nas costas algo a fez ficar palarisada de espanto.
Pareciam antigas, e mesmo que não provassem dor agora dava para perceber que quem lhe tinha feito aquelas cicatrizes não tinha tido piedade.
Eram imensas, fazendo padrões irregulares e doentios.
Ela simplesmente foi capaz beijá-las na esperança que todas desaparecessem.
Mas a única coisa que aconteceu foi Trevor acordar sobressaltado percebendo o que se passava virando-se de novo para Emily na tentativa de esconder 'um passado'. 
Estava um pouco ofegante pelo susto, e mesmo pela escoridão Emily conseguia ver aquela dor escondida nos olhos de Trevor.
E foi aí que percebeu que aquele beijo poderia ter sido a abertura de um caminho para muitas recordações dolorosas.

-continua-


I now, I didn't happer for so long.. *slap in the face*
I have been a bad girl and should be punishied, but I will just slap me again. *second slap in the face*
I'm really sorry. I will try not to do it again. You can put all the blame in school I don't mind a little bite. *evil smile*
Well, goodbye for now. And thanks for reading by pinky blog.
I will miss you.

Kisses
and yellow Flowers!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

The Tree. - chapter 9 -


À medida que abria os olhos apercebeu-se que estava com uma dor de cabeça do tamanho do mundo, por isso deu-lhe logo uma enorme vontade de os fechar novamente e voltar para o seu sonho, onde Trevor era do tamanho de uma flor e saía de trás da mesma vestido de fada e começava a cantar para Emily uma canção de embalar que costumavam também cantarolar em pequenos. Mas à medida que a dormência produzida pelo sono e o inchaço dos olhos, produzido pelo choro compulsivo passavam, ela por entre a escuridão começava a perceber que estava num sítio desconhecido, mas rapidamente os seus olhos verdes encontraram um corpo adormecido numa poltrona e ao perceber que era Trevor o seu coração já tão acelerado do medo pelo desconhecido começou lentamente a abrandar.
As luzes da lua estavam a incidir no seu rosto e graças a elas Emily conseguia ver o rosto de Trevor, um rosto sereno e até mesmo reconfortante, que fazia com que ela o quisesse ver mais de perto e tocar-lhe. Por isso mesmo levantou-se lentamente da cama, deu um passo silencioso, depois outro, depois mais outro, até que finalmente estava junto a ele. Nesse momento agachou-se um pouco para ficar à mesma altura do rosto de Trevor. Estava tão próxima dele que conseguia sentir a sua respiração contra a sua pele e ao olhar para aqueles lábios rosados o seu cérebro deixou de funcionar durante um momento, e num impulso irracional fez os seus lábios tocarem suavemente os de Trevor.
- Sabes que é de má educação beijar uma pessoa quanto esta está a dormir… - disse ele com os olhos meio abertos e com um sorriso carinhoso e divertido.
- Estavas acordado?! - disse Emily quase num grito de tanto embaraço que sentia e afastando-se dele em sobressalto acabando por se sentar novamente na cama.
- Qualquer pessoa acordaria se uma rapariguinha atrevida estivesse meia hora a olhar para ela. E não fujas, porque a culpa é tua. Foste tu que me beijaste. - disse ele metendo-se com ela. - Vem cá. Senta-te aqui ao pé de mim já que me acordaste. - pediu Trevor coçando os olhos na tentativa de afastar o sono que lhe enevoava a vista.
- Porque não me disseste que estavas acordado… Fizeste-me fazer figura de parva… - sussurrou Emily meio amuada enquanto se levantava e voltava a sentar, agora no colo de Trevor, tal como ele lhe tinha pedido.
- Porque adoro quando fazes as tuas figuras de parva, é quando ficas mais amorosa. - começou a acariciar-lhe o cabelo. - Com que então a minha pequena Emily é uma tarada… Hum… Acho que me posso habituar a isso.
- És tão parvo! - resmungou ela ao mesmo tempo que dava um murro no peito de Trevor, para depois repousar a cabeça no sítio exacto onde tinha dado o golpe.
- Sim, mas felizmente tu adoras este parvo não é?! – perguntou-lhe ele ao ouvido.
- Hum, não sei. Vou ter de pensar muito nisso. - murmurou ela ainda amuada e olhando-o nos olhos.
Ela estava a pensar na sensação daqueles olhos estarem a ver o seu interior, quando subitamente os lábios de ambos se encontram novamente, mas aquele beijo não era igual ao anterior. O primeiro tinha sido mais carinhoso e cheio de serenidade, mas este tinha sido mais espontâneo e repleto de paixão, fazendo acender no interior de ambos uma chama que não se apagaria, de forma a que os dois quisessem sempre mais, tentando saciar a fome que tinham um pelo outro.


Não queriam pensar em mais nada, só se queriam perder um no outro e foi exactamente isso que fizeram, esquecendo o mundo lá fora.
- Continua -


segunda-feira, 11 de abril de 2011

The Tree. - chapter 8 -


Sentia pequenas gotas de água a acaríciar a sua pele, que por vezes, devido a elas, estremecia de frio, mas Emily não se importava com isso. Para ela aquele frio era até bem-vindo, porque com ele vinha o conforto e o calor de estar junto a ele, estar junto daquele corpo robusto, capaz de salvar uma princesa de um dragão impeadoso, mas também afectuoso, capaz de amar uma mulher durante a noite inteira. Era tudo com um sonho demasiado bom para continuar para sempre.

Estavam deitados junto à árvore, rodeados por um mar de flores e banhados pela luz do pôr-do-sol.

Sabiam que as horas, os minutos, os segundos continuavam a passar, mas como qualquer outro casal desejavam que o tempo deixa-se de ser egoísta e parasse, mas mesmo sabendo que tal não iria acontecer deixaram-se ficar, ali, abraçados, com medo que o vento forte que os rodiava também os tentasse separarar.

Tinham estado em silêncio durante todo aquele tempo, sendo porque ainda estavam em choque por se terem encontrado passado tanto tempo, ou simplesmente porque ambos sabiam que o que sentiam um pelo outro não necessitava de palavras para ser descrito, tornando-os menos importantes. Até que num dado momento uma pequena palavra escapo pelos lábios de Emily.

- Perdoa-me... - disse ela muito baixinho para que fosse ele o único a ouvir, e agarrou-se a ele com mais força, chegando-se mais para junto dele e sentindo o seu cheiro, que para ela era tão reconfortante.

Ele deixou-se ficar em silêncio durante algum tempo, abraçando-a também com um pouco mais de força e continuando a brincar com aqueles cabelos que pareciam de uma pequena fada. Uma fada doce, mas também muito traquina. Até que de repente sussurou ao ouvido dela.

- Tive tantas saudades tuas, minha pequenina...

- Então não te devias ter ido embora! Pelo menos não daquela maneira. Devias, no mínimo, ter vindo despedir-te de mim... Devias ter-me dito "Adeus", beijado-me a testa e dito que ias voltar o mais depressa possível, como fazías todos os dias quando chegava a hora de ires para casa. - Emily começava a sentir um aperto no peito, mas não conseguia deixar de falar, era tudo demasiado forte. - Nem imaginas o quanto eu sofri a pensar que te tinhas simplesmente fartado de mim e me tinhas abandonado como se eu não fosse ninguém para ti. Não sabes o quanto chorei, quantos dias passei aqui especada à tua espera, até mesmo em dias de chuva, e ficava a olhar horas e horas para o caminho por onde tu costumavas vir, mas tu nunca voltaste. Quebras-te todas as tuas promessas como se elas fossem puro lixo, ou uma simples bujiganga que se guarda para sempre fechada numa gaveta sem nunca mais ver a luz do dia, e não estiveste aqui quando mais precisei de ti! Quando mais te quis aqui para me puderes abraçar e dizer qutudo iria acabar bem. - aos poucos Emily ia perdendo as forças da sua voz, deixando transparecer a mágoa e frustração em cada palavra que dizia, e em cada lágrima que agora lhe caia pelo rosto, graças às lembranças daquela noite, agora mais vivas do que nunca.


- O que é que te aconteceu? Quem é que te fez mal? - perguntou Trevor, com uma cara cheia de preocupação, mas com um tom de voz carinhoso, limpando ao mesmo tempo as pequenas lágrimas no rosto de Emily.

- O papá matou-a... - disse ela entre soluços, tapando a cara com as mãos e enrolando-se numa espécia de bola.

Emily depois de se acalmar um pouco mais contou toda a história. A morte dos pais, como é que tinha voltado a encontrar a árvore, a sua ida para casa dos tios, e até mesmo o facto de na realidade o seu tio ser o seu pai. Mas depois sentiu-se cansada devido a tantas recurdações dolorosas e ao choro e dor que as acompanhava, por isso deixou-se adormecer embalada nos braços de Trevor e pela canção que ele lhe cantava baixinho.


Enquanto Emily adormecia Trevor continuava a amadiçoar-se. Odiava acima de qualquer coisa vê-la assim, tão magoada e desfeita em pedacinhos. Sabia que tinha uma parte da culpa por ela estar assim, pois não esteve lá para apoiá-la, mas sabia também que agora já estava com ela, e que ia fazer de tudo para remendar as coisas.

(...)

Já estava muito escuro e o pôr-do-sol à muito que tinha passado, por iss Trevor disse ao ouvido de Emily, que ainda dormia:

- Pequenina, temos de ir embora, diz-me onde moras que eu levo-te lá.

Repentinamente Emily abre os olhos.

- Não, eu não quero ir para casa. Ainda não estou preparada para o ver. - disse-lhe emily ainda meio ensonada, mas mostrando alguma agitação.

- Okay, mas temos de ir mesmo embora. Passas então a noite em minha casa. Volta lá a dormir.

Obedientemente Emily, ainda cheia de sono, voltou a fechar os olhos e recomeçou o seu maravilhoso sonho, enquanto que Trevor foi à mala dela, tirou o telemóvel para fora, ligou para o tio dela e explicou-lhe que era um amigo e que Emily ia ficar a dormir em sua casa. 
Quando acabou de conversar com ele, Trevor pegou Emily ao colo e levou-a pelo caminho que costumava fazer em criança até sua casa e nesse momento apercebeu-se que era a primeira vez que eles saiam para a realidade juntos. 

- Continua- 

                        

sexta-feira, 25 de março de 2011

The Tree. - chapter 7 -

Naquele momento só gostaria de poder agredir-se a ela própria de tão irritada que estava consigo mesma e com o idiota do seu sistema nervoso. Conseguia sentir o sangue a percorrer o seu caminho até à sua face fazendo emanar dela um calor quase insuportável e até mesmo irritante, além do facto de se estarem a formar na sua barriga pequenas borboletas igualmente irritantes, que faziam questão de demonstrar o quanto a sua ansiedade aumentava a cada segundo silencioso que passava. Mas rapidamente se apercebeu que não era a única Emily em todo o Mundo, e começou a sentir a face a voltar à normalidade e as borboletas a desaparecerem aos poucos.
- Emily... Hum… Acho que aqui nesta terra não há muitas, mas mesmo assim, infelizmente acho que não devo conhecer todas elas. – murmurou ela meio pensativa.
- Pois, é o mais normal… Mas obrigada por te preocupares e quereres ajudar um intruso desconhecido. – disse ele com um sorriso enorme que esculpia umas covinhas amorosas no seu rosto.
- Devo ser demasiado boa pessoa. Mas vê-se que sentes mesmo um grande carinho por ela, ficaria muito feliz de puder ajudar de alguma maneira.
- E agradeço-te muito por isso, nem imaginas o quanto… Bem, mas acho que é melhor ir-me embora, já está a ficar tarde, é quase pôr-do-sol. – disse ele à medida que se levantava.
A discussão que tinha tido à pouco com o tio assombrou-lhe os pensamentos, e num gesto irracional ela agarrou na camisola dele.
- Hum… Não podes... ficar mais um pouco? – murmurou ela, enquanto que o seu rosto começava a ficar um pouco vermelho e também passava a demonstrar uma pequena angústia.
- Sim, claro que sim! – disse ele, sentindo alguma preocupação e voltando a sentar-se, mas desta vez mais próximo dela.
- Desculpa, mas não me apetece nada estar sozinha, e muito menos ir para casa…
- Não faz mal, também não tinha nada melhor para fazer.
- Então, conta-me histórias das aventuras que passaram aqui… – disse com alguma curiosidade.

- Hum… Ah! Houve uma vez que estávamos os dois junto às flores, ela estava sentada a fazer-me uma coroa com essas mesmas flores, passava os dias a fazer-mas, ou então simplesmente ficava ali a olhar para as flores à espera que aparecessem as fadas de que eu sempre lhe falava, enquanto que eu estava com a cabeça deitada no seu colo, porque era onde eu mais gostava de dormir a minha sesta. – disse ele, sentindo-se divertido com essas lembranças. – Quando de repente começamos a ouvir uns gritos de longe:
- Senhor bigodes! Senhor bigodes! Vem cá!
- Começámo-nos a rir feitos parvos por causa do nome do animal, que mais tarde acabámos por descobrir que era um cão, e até sentimos alguma pena dele. Mas a mulher estava cada vez mais perto do nosso lugar e não queríamos que ninguém nos descobrisse, por isso a Emily agarrou-me, puxou-me até à árvore e disse-me para subirmos e escondermo-nos lá em cima. Estivemos lá durante tanto tempo… A mulher não se ia embora, andava ali aos círculos, e nós cheios de dores no rabo! Até que finalmente a senhora se fartou e foi-se embora. Eu desci da árvore primeiro e fiquei à espera que ela saltasse para poder agarrá-la, mas desequilibrei-me e caí-mos os dois no chão. Lembro-me que ela me deu um murro no peito e disse… Hum… Ah, não me lembro… - disse ele com uma cara de espanto.
Emily estava em estado de choque, porque à medida que ele contava a história ela conseguia ver tudo à frente dos seus olhos. Eram ela e o menino do sonho que ela via. E sabia o que ele já não se lembrava...
- Ela disse, que tu eras um desajeitado que nunca a conseguias agarrar decentemente, e que iria casar contigo no dia em que a conseguisses ajudar a descer da árvore sem caírem no chão, tal como um verdadeiro príncipe, dos contos de fadas que ela te contava todos os dias mesmo antes de adormeceres no seu colo. – murmurou Emily, com todas as lembranças a renascer na sua mente, enquanto se levantava e começava a ir-se embora.
- Emily!? Emily… - disse ele baixinho, mas passado alguns segundos gritou o mais alto que conseguia - EMILY!
Ela obedientemente parou, mas não se voltou, continuando virada de costas, enquanto que ele já se levantava e corria a toda a velocidade até junto dela abraçando-a com todas as forças que tinha, mas também da forma mais carinhosa que conseguia.
- Trevor… Como é que eu me pude esquecer de tudo!? Como é que me pude esquecer de ti!? – murmurou ela, sentindo uma dor enorme no peito e com as lágrimas a escorrer da sua cara, tal e qual como as pequenas cascatas que ele tinha visto nela em pequena.
Trevor não lhe respondeu, limitou-se a abraçá-la fortemente, mostrando uma vontade enorme de nunca mais a soltar.


sexta-feira, 18 de março de 2011

The Tree. - chapter 6 -


Sabia perfeitamente que estava a descarregar nele grande parte da sua raiva e frustração e sentia-se até um pouco mal por fazer tal coisa, mas sentia-se acima de tudo furiosa e desesperada, de tal forma que ainda não sabia como haveria de reagir ou até socializar com quem quer que fosse, sentindo-se estupidamente instável, de tal forma que num momento sentia uma vontade irracional de matar aquele desconhecido e noutro já queria ceder à dor que sentia bem no fundo do seu ser, e chorar como uma louca junto daquele ombro robusto, mas estranhamente confortável e chamativo.
A única coisa que ela queria era a sua mamã e o seu papá de volta, só queria adormecer nos braços do pai enquanto sentia o perfume doce da mãe, ou simplesmente aconchegar-se junto a ambos no sofá enquanto viam as series que a mãe tanto gostava, e que o pai se esforçava por gostar. Ela não queria um novo pai, nem uma nova família, só desejava a sua verdadeira família de volta. E, ao pensar nos dias quentes de Verão em que o seu pai passeava à beira mar com ela aos ombros e de mãos dadas à mãe, Emily deixou deslizar pelo seu rosto uma pequena lágrima cheia de saudade de um passado agora já tão distante …
- Está a tentar que eu sinta remorsos por ter sido brusco consigo?! – disse o desconhecido com uma voz serena e até um pouco carinhosa.
- Não.
- Pois, ainda bem, porque não ia sentir. Estava a merecer tal brusquidão! – disse ele, num tom um pouco mais divertido.
- Secalhar … - mumurou ela num tom que demonstrava teimosia - Pronto, peço desculpa. Infelizmente tenho uma tendência para descarregar as minhas frustrações em desconhecidos que invadem o meu lugar especial. – disse Emily sentindo novamente um pouco de remorsos.
- Ah, mas este é o seu lugar especial !? Que engraçado …
- Primeiro que tudo, podes parar de me tratar por você. Já descarreguei a minha fúria em ti e é obvio que isso te dá o direito de me tratares por tu. Segundo, porque é que é engraçado?
- Porque este também já foi o meu lugar especial. Quando era criança, morava aqui perto, e houve um dia que descobri este sítio. Achei-o mais que maravilhoso, até mesmo mágico. Sabes, quando somos crianças acreditamos em todo o tipo de tolices... Vinha aqui todos os dias, corria, pulava, trepava à árvore, e depois de já estar meio cansado, deitava-me junto a ela e imaginava que as pétalas de flor de cerejeira que voavam à minha volta eram pequenas fadas desejosas de companhia e de alguns momentos de brincadeira. Este lugar era muito importante para mim e tal como tu, também não achei muita piada quando uma menina de cabelos da cor do nascer do sol e faces coradas apareceu por aqui a correr e com lágrimas a escorrer do seu rosto como pequenas cascatas. Essa menina acabou por se tornar na minha melhor amiga, e depois no meu primeiro amor.

 
Ele sentia um carinho enorme por aquela menina, podia perceber-se isso facilmente pela maneira como o seu tom de voz suavizava, o olhar se tornava mais meigo e doce, e o seu corpo se relaxava e aconchegava junto ao tronco onde estavam encostados. Emily não conseguiu deixar de sentir um pouco de ciúmes daquela menina que preenchia os pensamentos daquele homem de exterior duro, mas interior meigo.
- Então e vieste na esperança de encontrá-la aqui?
- Hum … Mais ou menos. Eu à alguns anos atrás mudei de casa, mas por causa de alguns assuntos familiares vou voltar a viver aqui. Hoje foi a mudança e tinha de vir aqui, nunca fui capaz de esquecer este sítio. – murmurou enquanto olhava em seu redor – Mas a verdade é que ao vir aqui, tinha alguma esperança de a encontrar … Também nunca a consegui tirar totalmente dos meus pensamentos, aquela carinha banhada de lágrimas ficou gravada na minha mente.
- Mas combinaste encontrar-te aqui com ela? - perguntou Emily sentindo-se um pouco tola, por sentir ciúmes de uma pessoa que nem conhecia.
- Não … Éramos crianças, pensávamos que íamos ficar separados para toda a eternidade, ainda não sabíamos dos computadores, nem dos telemóveis, por isso perdemos o contacto e nunca mais nos voltámos a ver, nem mesmo falar.
- Então porque achavas que a podias encontrar aqui? Podias ter ido à lista telefónica, ou algo assim…
- Isso estragaria toda a magia da nossa relação! - disse ele um pouco indignado. - Além do mais, nós fizemos uma promessa, prometemos um ao outro que nos iríamos encontrar sempre aqui e que estaríamos sempre juntos. Não pude cumprir a última parte, mas quero cumprir a primeira! E o mais importante de tudo foi a promessa que lhe fiz de estar sempre com ela, quando ela mais precisasse de mim.
No momento em que ele disse aquilo, subitamente o sonho que Emily tinha tido na noite da morte dos seus pais preencheu-lhe os pensamentos e por mais que tentasse afastá-la do pensamento, a cara daquele menino estava gravada na sua mente.
- Eu costumo vir aqui todos os dias, e nunca vi aqui ninguém … Mas esta terra não é muito grande e conheço a maior parte das pessoas que aqui vive, se me disseres o nome dela posso tentar ajudar-te a encontrá-la. Lembras-te como é que ela se chamava?
- Claro que sim! Era um nome lindo … Emily.

- Continua -